Sons

O início era uma melodia quase triste, levemente impedida de se propagar por uma parede de vidro, mas que insistia em arrepiar as mãos que tocava seus cabelos. A cabeça sobre o seu colo e um sonho se esvaindo, levado por suas parcas palavras envolvidas pela melodia insistente.

Acabou-se a melodia, momentos de silêncio. Apenas o tilintar de duas taças de vinho. Silêncio.

No florescer de uma orquídea, um novo tom. Mais vibrante, belo e contagiante. Quanto tempo contagiou o seu ser? Eternamente! Qual é o cheiro desse som? Cheiro de vida!

A vibração nunca cessará, mas a distância se colocou entre o belo e o que sobrou dela. Ao separar o que era seu e o que era do som vibrante, descobriu a triste melodia falsamente adormecida! Tapou os ouvidos, tentou fingir a inexistência da melodia, mas o gosto deste som era implacável aos seus sentidos.

Parou de fugir, ouviu a melodia até o fim. Silêncio. As vezes, escuta, mesmo com o impedimento da distância, a bela e vibrante melodia, a tocar o seu corpo, a tocar o seu ser redescoberto, a entranhar pelos seus poros a essência da vida.

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Sobre Liliane Ramos

Liliane Ramos - Psicóloga Social, Psicoterapeuta Humanista e Facilitadora de Grupos. Feminista, amante de filosofia, literatura, cinema, chocolate e gatos. Graduada em Psicologia pela UFMG e curso de formação em Psicoterapia Centrada no Cliente em andamento pelo Instituto Humanista de Psicoterapia. Ver todos os artigos de Liliane Ramos

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