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Marcha das Vadias BH 2013

“Se cuida seu machista, a América Latina vai ser toda feminista!”

Momento em que Felicanos e Malafaias rondam e tentam retroceder algumas discussões e espaços duramente conquistados por movimento sociais e pessoas que não se conformam com a realidade opressiva imposta, a Marcha das Vádias de Belo Horizonte (2013) vibrou os alicerces da moral hipócrita da capital mineira.

O movimento ganhou corpo e cresceu durante os três anos de realização. Assim como nas edições anteriores, marchou pela Guaicurus, Praça da Estação em direção a Praça da Liberdade (da liberdade?). Na ladeira da Rua da Bahia, o grito: “Eu amo homem, amo mulher, tenho o direito de amar quem eu quiser”, em uma mágica sonora de ecos que só este trajeto proporciona. Mais uma vez a Marcha mostrou ser uma bonita e importante manifestação, arrancando olhares, rostos virados, xingamentos e muitos, muitos aplausos!

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Enquanto nas novelas a cada três cenas, em duas, há mulheres se enfrentando por causa do “cara”, o lema aqui é: “Mexeu com uma mexeu com todas”. A dicotomia entre santa X puta usada para justificar as violências contra as mulheres tem que ser rompidas, somos todas vádias e todas de respeito!

Os corpos pintados e a pouca roupa  se tornaram a marca da Marcha das Vadias pelo mundo, afinal, o movimento surgiu com a indignação de que a pouca roupa e o nossos corpos são os culpados pelos estupros que nós mulheres sofremos ou estamos propensar a sofrer. O corpo da mulher ao longo da história sempre foi objeto de troca, venda, abuso, maldição e dominação. É a partir do corpo que surgem representações sociais de gênero, é a superfície para o carimbo da opressão. O corpo é medido, o corpo é controlado. Temos que ter tal peso, tais curvas e para subir de patamar, mostrá-lo na playboy, mas muito cuidado ao usar saia curta pois podemos provocar um estupro! Chega! O corpo é meu, tire sua fita métrica do caminho que eu quero passar! Tire suas regras do caminho que elas são minhas! De burca ou de shortinho, a sua mão(e o resto) só chega onde eu quero!

“Não estou nua, estou coberta de razão”

Mais uma vezes contamos com o apoio de muitos homens que participaram ativamente da marcha e pintaram seus corpos em apoio a causa: “Homem inteligente é homem feminista!”, mas as protagonistas foram as mulheres e isso tem que continuar!

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Representantes de movimentos sociais também ajudaram a compor a Marcha: Movimento GLBT, Movimento Lésbico (ALEM), movimento estudantil, dentre outros. A presença de famílias e mulheres da terceira idade também foi notável.

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A mudança só é possível se passarmos a nos incomodar cotidianamente com questões tão cristalizadas e veladas de preconceito e opressão. Iniciando por nós mesmas. Refletindo sobre nossos julgamentos. Que as garotas que fazem o quadradinho de oito sejam tão donas dos seus corpos e merecedoras de respeito quanto qualquer senhorinha que frequenta igreja. Que esfreguem sua dança na cara da tradicional família mineira! E além desta reflexão cotidiana e interna temos que mostrar para o mundo que estamos unidas e que não vamos aceitar qualquer justificativa para a violência de gênero! . Há quem aprende históra, há quem faz! Vamos todas juntas mudar esta realizade!